dedicação pela vida

Ombro amigo

Solidariedade é valorizar a vida. A história de Diogo Leite é uma prova disso. Após passar por vários problemas de saúde e cirurgias, ele fez questão de retribuir o dom da vida participando do grupo de voluntários da Abrace “Amigos do Leito”, que oferece acompanhamento às crianças internadas no Hospital da Criança de Brasília José Alencar-HCB enquanto os pais estão ausentes.

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Leia abaixo o texto publicado no site do HCB sobre a atuação voluntária de Diogo:

Diogo Leite, 30 anos, conhece os dois lados de frequentar um hospital. Seja pela experiência de estar internado e passando por um tratamento, seja por apoiar e torcer pelos pacientes que batalham pela melhora. O empresário integra um dos 13 grupos do voluntariado no Hospital da Criança de Brasília José Alencar, o “Amigos do Leito”, que presta assistência às crianças e adolescentes internados.

Mas, antes de chegar até aqui, Diogo ficou em coma, lutou pela própria vida e chegou a emagrecer 48 kg.

“Brinco que existe o ‘Diogo Passado’ e o ‘Diogo Presente’. Em 2011, fui parar no hospital porque tive o que eles chamam de AIT, que é um ataque isquêmico transitório. Ele é um passo para você ter o derrame cerebral. Minha pressão estourou. Na época, era obeso, tinha sobrepeso. Só por esse fator, a cirurgia de redução de estômago já era indicada. Após o AIT, virou quase obrigação.

Quando fiz a cirurgia, quase um ano depois, em dezembro de 2012, o médico acabou perfurando meu intestino. Mas ele não soube disso. Quando finalizaram e eu acordei, estava morrendo de dor. Fizeram exames e perceberam que os resultados estavam muito alterados. Tiveram que me abrir novamente para fazer uma lavagem nos órgãos e, então, caiu bastante água nos meus pulmões. Resultado: embolia pulmonar.

Tive que entrar em coma induzido e respirar com auxílio de aparelhos. Essa sequência aconteceu no dia 12/12/12. Somente na véspera de Natal, no dia 24, acordei do coma. Vi meu pai entrando no quarto, sendo que ele não mora em Brasília, e dizendo: ‘Filho, hoje é véspera de Natal’. Fiquei perdido. Por conta de outras consequências durante esse período no hospital, tive que parar minha vida e reaprender uma série de coisas, como andar.
Durante os dias na UTI, senti muita falta de um ombro amigo. Eu podia receber a visita de meus pais somente durante uma hora no dia e nas outras 23h ficava solitário. Por isso a vontade de atuar como Amigo do Leito. Sei o que é estar deitado em uma cama, precisando de apoio e carinho. Sei o que significa a presença de uma pessoa ao seu lado para ter em quem se apoiar. Pesquisei, descobri o Hospital da Criança de Brasília e não pensei duas vezes para me inscrever no programa de voluntários.

Escolhi como dia de atuação a segunda-feira, pelo período da manhã. Começo minha semana justamente no HCB, com as crianças. Quando vejo esses guerreirinhos se superando a cada dia, quando consigo arrancar um sorriso, vou para minhas empresas e não tenho problema algum no resto dos dias. É uma satisfação muito grande. Às vezes, quando reclamo que algo não está legal, sempre lembro da força deles, do que também passei. Valorizo mais a vida.

Por ter vivido uma situação extremamente delicada também, consigo me identificar com pais e pacientes. Você se sente subjugado pela vida. Pensa: ‘porque logo isso foi acontecer comigo?’. E meu objetivo é justamente trocar experiências e mostrar como essas barreiras podem ser coisas que ficarão somente no passado. Ninguém quer escutar que é coitado. Não tem ninguém coitado. Muito pelo contrário. Crianças que nem com um ano de vida já recebem tratamento e, mesmo assim, estão risonhas o tempo inteiro, jamais podem ser taxadas assim.

As quatro horas que passo no HCB representam bastante para mim. Crianças a todo momento estão te ensinando alguma coisa nova. Existe uma troca espontânea entre ambas as partes, seja de carinho ou conhecimento. Em diversas situações, grande parte do meu trabalho não é falar e, sim, escutar.

Após o que vivi, dei a volta por cima. Emagreci 48 kg, conheci a mulher com quem quero me aquietar pelo resto da vida, me candidatei ao mestrado, tenho duas empresas e me tornei atleta máster de natação. Se puder contribuir para que alguém tenha uma caminhada semelhante, todo o tempo no Hospital terá valido a pena. Não existem super-homens. Todos têm um limite e melhoram no seu próprio tempo. Mas não podemos deixar de acreditar em nossa capacidade”.

by acls us
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