dedicação pela vida

Mãos que mudam vidas

 Aulas de artesanato na Abrace ajudam mães a criarem novas perspectivas.


Deydiane Lima nasceu em Boa Vista, Roraima, e hoje tem 28 anos. Ela é mãe de três filhos, um deles, o Armando, que hoje tem sete anos. Quando ele tinha pouco mais de um ano, descobriu uma doença imunológica que mexia com todo o seu corpo. Foi aí que começou a saga da jovem mãe.

Sem estudo, ela sempre vendeu dindin, carvão e outros produtos para conseguir manter a família. Teve que peregrinar por vários hospitais de Boa Vista até chegar em Brasília, onde conseguiu tratamento para o filho. Depois de dois anos, quando finalmente teve um diagnóstico preciso, foi encaminhada para a Abrace e então, sua vida começou a mudar. “Estou há oito meses na Casa de Apoio da Abrace, no Guará, e há um mês me envolvi com o artesanato. Comecei a produzir tiaras de fitas com lacinhos, vendi 40 delas e já consegui levantar um bom dinheiro para ajudar meus outros dois filhos que ficaram em Roraima, com minha mãe e o pai”, conta animada.

Artesanto 1

Deydiane aprendeu a fazer as peças dentro da instituição, que oferece uma professora dedicada a ajudar estas mães a descobrir talentos escondidos. Três vezes por semana as mães que se hospedam na Casa de Apoio junto aos seus filhos, se reúnem com a artesã Alana Pontes, que ensina a fazer, além das tiaras, tricô, crochet, tapeçaria, bijouteria e outros tipos de artesanato. Ela procura se adequar às necessidades das mães e às regiões de onde elas vêm, como Bahia, Roraima, Acre e Goiás. “O objetivo é fazer uma terapia e gerar renda, porque essas mulheres ficam muito tempo fora do mercado para cuidar dos filhos”, explica Alana.

A aprendiz conta que quando está trabalhando sua vida é outra: “É só alegria, é algo que ajuda a passar o tempo e me ajuda a esquecer as dificuldades”. Cada tiara é vendida a R$ 10 ou R$ 15, depende do tamanho do laço e do material usado. Escolher esses materiais, aliás, faz parte do curso. “Eu já levei as mães para uma aula prática, ensinei como escolher o material, como diferenciar um tipo de tecido do outro, ver as qualidades de um e de outro e a dar um bom preço. Além de fazer bem feito, elas ainda precisam saber quem são seus clientes. Não adianta fazer algo muito colorido para vender para senhorinhas em um asilo, por exemplo”, alerta Alana.

Artesanato 2

Por enquanto, as clientes da Deydiane, e de outras mães que estão investindo nas tiaras, são as funcionárias da Abrace e do Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB), visitantes e até outras mães que também se hospedam na Casa de Apoio, mas a ideia é expandir os negócios e ajudar mais famílias. “Meu filho tem tudo o que precisa na Abrace, mas os outros dois, que ficaram em Boa Vista, não têm. Esse é meu jeito de ajudá-los. Essa oportunidade me deu uma nova esperança e vontade de viver. Faço as tiaras com muita alegria”, conta Deydiane.

Day 2

Para a presidente da Abrace, Ilda Peliz, esse tipo de atividade levanta a autoestima e dá uma nova perspectiva de vida para essas mães. “A gente tem que ensinar a pescar para que essa família caminhe com as próprias pernas e não tenha de voltar para a situação anterior, muitas vezes de exclusão social “, esclarece.

Para as mães de assistidos interessadas em participar das aulas de artesanato, as inscrições já estão abertas. Para participar, basta entrar em contato com as assistentes sociais da Abrace. Ao todo, são ofertadas 15 vagas. As práticas são realizadas às segundas, terças e quartas.

by acls us
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