dedicação pela vida

Também faz parte da luta: crianças da Abrace nas salas de aulas

Educadoras trabalham diariamente para que as crianças e adolescentes assistidos da instituição voltem às escolas com o conteúdo afiado

O câncer passa, mas a vida continua. A Abrace reconhece a importância de não interromper o desenvolvimento da educação e da criatividade das crianças e jovens que combatem o câncer. Por isso, enquanto estão hospedados na Casa de Apoio, os assistidos têm acesso a toda a estrutura que o Espaço Pedagógico oferece.

As aulas são preparadas para o ensino infantil, ensino fundamental (do 1° ao 5° ano) e o projeto de português para o 6º ano do Ensino Médio, respeitando o Currículo em Movimento fornecido pela Secretaria de Educação. Sempre há a preocupação em adaptar as aulas às necessidades de cada uma das crianças.

 

Em agosto de 2017, a Secretaria de Educação cedeu três professoras da Regional de Ensino para lecionarem no Espaço Pedagógico. A Fernanda Brandão Rosa Souza, de 39 anos foi uma delas. Ela dá aula nas disciplinas de ciência, matemática, geografia e artes, os encontros com os alunos são diários, pela manhã, no período da tarde, ela planeja a rotina do dia seguinte.

Professora há 16 anos, assim que Fernanda recebeu o convite se sentiu desafiada. “Eu imaginava que conviver com o sofrimento e ver a doença de perto iria me abalar, mas as crianças enxergam a doença como só mais um problema. Elas estão dispostas a lutar por suas vidas”, conta.

 

Fernanda já deu aula para 29 crianças desde que chegou na Abrace, todas muito bem registradas em seu diário. Uma das alunas mais marcantes foi a Vitória Vieira de Souza, 11 anos. Depois de passar por uma cirurgia para a retirada de um tumor na cabeça, a pequena veio se recuperar na Casa de Apoio. Aos poucos, a professora se aproximou de Vitória. Ela interagia e contava histórias até o momento em que ela pode frequentar o Espaço Pedagógico. “Minha única diferença é que eu não tenho cabelo e preciso da cadeira de rodas, mas eu sei que vou melhorar” dizia Vitória nas aulas, coisa que adorava fazer. Por enquanto, a menina se prepara para outro procedimento e deixa saudades na educadora.

Os pequenos se mostraram resistentes no início. Por estarem acostumados com as grandes escolas, cheias de alunos. Mas, com o tempo, as aulas tornaram-se uma fuga da rotina maçante, entre consultas e exames.

A pedagoga Tatiana Santos Arruda, de 34 anos, acompanha as crianças de 3 a 5 anos da Casa de Apoio. Ela lembra que quando o tratamento dessas crianças acabar, elas precisarão estar prontas para o ensino regular. Portanto, para facilitar a transição, ela trabalha com a sistematização e a rotina. Tatiana acompanha dois casos em especial, são alunos que já receberam alta e iniciaram o ano letivo normalmente. Carlos Eduardo Fortes e Silva, 9 anos, está no 3º ano e tem um ótimo desempenho. John Klose Leite Almeida, 11 anos, aumentou suas habilidades em matemática enquanto estava na Abrace e hoje ajuda os amiguinhos com a matéria que ele tanto ama.

O trabalho pedagógico vai além das dinâmicas com os alunos, é necessária uma interação com as famílias para que os estudantes se mantenham assíduos. As interrupções por causa dos tratamentos são os maiores desafios que as professoras enfrentam. “Uma das minhas dificuldades é conseguir desenvolver e manter o interesse dos alunos no contexto das suas dificuldades”, explica Rosana Cipriano Jacinto da Silva, 48 anos, que leciona Língua Portuguesa, Espanhol e Libras.

As três educadoras concordam em uma coisa: aprenderam muito com as crianças. Guardam muitas lições e carregam desde então um olhar mais especial sobre a vida. Além disso, compartilham o carinho que criaram pela Abrace.

 

by acls us
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