dedicação pela vida

Conexão é a habilidade de ir além

Palestra na Abrace traz reflexão às famílias assistidas sobre as diversas formas de se relacionar

“Todo mundo tem muita vontade de amar, só não sabe como expressar”, diz o voluntário do Centro de Valorização da Vida (CVV), Elias Pereira, que foi convidado pela Abrace a palestrar no Programa Encontro de junho. O bate-papo envolveu 50 adultos e nove adolescentes que compareceram ao evento em busca de orientações sobre o diagnóstico e prognóstico, com informações que proporcionam melhor qualidade de vida e desenvolvimento social.

O primeiro desafio, para Elias, foi escolher um tema que conversasse com todos os públicos presente. “O CVV tem um braço chamado CVV Comunidade, no qual promove ferramentas de valorização a vida para serem levadas às pessoas. Mas como achar algo em comum com todos os públicos? Optei por falar sobre valorização da vida por meio da conversa dos sentimentos”, explica. Durante 1h30 o rapaz se muniu de exemplos e dinâmicas que contextualizassem a teoria exposta. Uma delas foi a do abraço.

Uma das pessoas impactadas com a ação foi a Enicleide Rodrigues, residente em Mansidão, Bahia, e é mãe da pequena Ariela dos Santos, 2 anos, que trata anemia falciforme. Ela vive em uma realidade rural, por isso conta que não tem acesso a esse tipo de aprendizado. “É bem difícil a gente da roça saber o que é dar um abraço e um carinho para o filho. Às vezes, o tempo corrido na roça é bem mais difícil que na cidade grande. Mas eu já aprendi que ao chegar em casa e dar um abraço é bem melhor que um presente”, conclui, satisfeita.

A forma de expressão também fez parte do assunto tratado. A equipe da assistência social, responsável pela organização do evento, convidou o grupo de ballet Mylene Leonardo para abrir a manhã e trazer, por meio de coreografias, um meio artístico de falar sobre as emoções. “A dança é uma forma de traduzir sentimentos de modo corporal, de acordo com o ritmo interno de cada pessoa. Através dessa arte conta-se histórias sem a necessidade da fala”, avalia a diretora bailarina, Mylene Leonardo.

 

Elias reforça que cada um tem sua maneira individual de desabafar ou de pedir ajuda, inclusive o silêncio pode ser uma delas. Ao seu ver, esse comportamento pode ser uma proteção ou um sinal de que as coisas não estão bem. Portanto é imprescindível trabalhar a escuta ativa para se conseguir afinar o diálogo, principalmente entre pais e filhos. “Escutar sentimento é uma forma de alívio da dor para ela se entender por si só”, conclui.  

Aline Silva, 20 anos, que enfrenta o osteossarcoma e é assistida da Abrace, percebeu que não presta muita atenção nas pessoas no seu dia a dia, não sabe como enxerga-las. “As dinâmicas, os diálogos que a gente fez eu vou levar para a minha vida. Aprender a observar mais as pessoas. Porque as pessoas demonstram muito e não por palavras, mas com o jeito de se expressar e isso mostra como elas estão”, comenta.

 

Após a manhã de aprendizados, as famílias participantes do Programa Encontro saíram da Abrace com mais uma lição de vida: ter uma visão mais empática é fundamental para saber como demonstrar o amor.

Apresentação solidária

O grupo de ballet Mylene Leonardo, comandado pela bailarina de mesmo nome, realizou, nesta manhã, uma apresentação adaptada do espetáculo Uma viagem ao fundo do mar, que foi exibido no teatro SESC Newton Rossi, em junho.

Ela conheceu a Abrace por meio de uma de suas alunas. A pequena para quem deu as aulas enfrentou a leucemia e foi assistida da instituição. “A família a incentivou através do ballet clássico a ter forças para encarar o tratamento. Então, pensei que se minhas alunas tivessem contato com outras crianças que passam por esse processo seria um ganho não só para quem assiste, mas um ganho pessoal a todo mundo que dança. Uma troca de experiências”, explica Mylene. Essa foi sua motivação em trazer a companhia até a instituição. Os bailarinos se apresentaram e, na caracterização, trouxeram seres místicos para mexer com o imaginário das crianças.

 Texto: Tainá Vieira

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