dedicação pela vida

Mulheres abraçam mais

Neste 8 de março em que celebramos o Dia Internacional da Mulher, a Abrace destaca o papel delas para a instituição. A história da Abrace começou a partir do encontro de mães que cuidavam de seus filhos em tratamento contra a leucemia. Era 1986 e o tratamento realizado no Hospital de Base propiciou o encontro dessas mulheres que dividiram suas dores e experiências. Acompanhadas e amparadas por seus companheiros, essa união e o incentivo da doutora Maria Nazareth Petrucelli foram determinantes para a criação da instituição, que tem 71% das funcionárias e 80% das voluntárias mulheres.

Dia da mulher 2020 1

Hoje, quase 34 anos depois, Maria Angela Marini relembra a força que a motiva no trabalho realizado na Abrace, que apenas em 2019 realizou 5.947 atendimentos, além de 7.386 hospedagens na Casa de Apoio. Ela lembrou que a Abrace foi fundada por casais, mas o encontro espiritual que promoveu essa ligação foi entre as mães, que se encontravam toda semana e passavam muito tempo juntas durante o tratamento dos filhos. A mensagem então foi levada para os pais, e todos participaram da diretoria fundadora. “A mulher tem essa vocação maternal. Já nasce com essa força espiritual. É uma força que vem de dentro. É visceral”, acrescenta ela.

A presidente destaca que depois que sua filha teve leucemia, percebeu como outras famílias precisavam de ajuda e se envolveu, transferindo o amor pela filha para outras crianças, e tomando a causa como missão. “Encaro o meu trabalho como uma grande solidariedade, amor ao próximo e também instinto de fazer o bem. É uma missão que estou cumprindo e sinto que é parte de mim fazer esse trabalho e ajudar outros que precisam. E eu também me ajudo muito com essa participação dentro do trabalho da Abrace porque me sinto feliz, em paz e também me vejo fortalecida espiritualmente por saber que eu estou tirando parte de mim para oferecer ao próximo”, explica Maria Angela.

Olhar afetivo
Entre as ações de assistência realizada para a Abrace no combate ao câncer infantojuvenil, está a Casa de Apoio, que disponibiliza 58 leitos para hospedagem de pacientes com seus acompanhantes, na maioria dos casos mães, que vêm de outros estados em busca de tratamento em Brasília.

Segundo Juliana Batista, gerente executiva da instituição, esse fator tem relação com o papel histórico da mulher, que reverbera em um atendimento mais humanizado na Abrace. “No trabalho da Abrace você vê esse cuidado e esse diferencial. Surgiu de mães, então a história da instituição vem do ser mães, do gerar. E a Abrace tem esse olhar carinhoso, mais humano”, relata.

Ela explica que no terceiro setor é comum que tenha majoritariamente mulheres, mas esse cenário está em transformação, com mudanças inclusive no aumento da participação dos pais no acompanhamento do tratamento, o que se soma a força e potência das mulheres. “São muitas histórias que a mulher toma a frente. A gente vê a força dessas mães, dessas mulheres. A maioria tem muitos filhos, ficam distante muito tempo da família para acompanhar o tratamento, abdicam de muita coisa. As histórias delas são muito surpreendentes. Também percebemos uma mudança nesse paradigma”, conta Juliana Batista.

Rede de apoio feminina
Fagna Nayara, que há sete anos veio para Brasília com seu filho de 10 anos em busca de tratamento e se tornou assistida da Abrace, destaca que o encontro com outras mães na casa de apoio se transforma em acolhimento e rede de apoio, dando força durante o tratamento. “Não é para qualquer um a profissão de mãe. É um papel difícil que a mulher sabe desenvolver bem, é bonito e afetivo. E na Abrace construímos uma família. Uma apoia a outra”, explica.

O papel da mulher na Abrace vai ainda além, fortalecendo através do trabalho voluntário uma atenção maternal e afetiva segundo Lilian Ratto Neves, que há sete anos atua contando histórias para crianças no Hospital da Criança de Brasília José de Alencar, construído com doações e campanhas realizadas pela Abrace. “A mulher tem muitos braços, e consegue se dedicar a várias tarefas. Eu dedico o tempo que posso para quem precisa mais do que eu e o voluntariado me trouxe mais equilíbrio e paz”, conclui a voluntária.

Texto: Mariana Cardoso

Foto: Arisson Tavares

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